A Corte dos Traidores

Opinião:
Depois de uma pausa algo prolongada, eis que me vejo impelida de volta para o universo de Hobb e dos Seis Ducados e aos personagens que conseguiram conquistar-me nos primeiros dois volumes desta saga d’O Assassino. A Corte dos Traidores corresponde, na verdade, à segunda metade do segundo livro da trilogia original. Por isso, tenho alguma pena de não ter lido O Punhal do Soberano e este, seguidos. Os dois próximos volumes, e últimos nesta saga, irei tentar lê-los de seguida, de modo a não perder tantos pormenores, que com o tempo acabam por cair no esquecimento.
Devo confessar que foi com algumas expectativas que iniciei esta leitura. É certo que esta saga é muito comentada por este mundo fora, como sendo uma das melhores do género literário de Fantasia. Não obstante, este volume parece arrecadar, a maior quantidade de opiniões positivas. Alguns dizem que este volume marca o início do clímax da saga, outros, que é o próprio clímax das aventuras de Fitz. Com opiniões a marcarem este volume como sendo espantoso, é difícil manter-me impassível e imperturbada durante a leitura do livro. Ao pegar pela primeira vez no livro, ponderei quase exaustivamente se também eu me iria sentir especialmente tocada por este livro, que além de se parecer revelar bastante promissor, também parecia prometer todo um leque de emoções intensas ao leitor.

Com este conjunto de expectativas, iniciei a leitura deste terceiro volume. Não sei bem o que deveria esperar deste “A Corte dos Traidores”, mas a verdade é que acabei por, mais uma vez, ficar admirada. Este não é um género literário em que eu me debruce com regularidade, por já ter sido desiludida várias vezes. Por isso mesmo, mantenho as minhas leituras ao mínimo e só cedo quando a curiosidade se encontra a um nível que não consigo ignorar. Foi o que aconteceu com esta série de Hobb e hoje agradeço ter tido a presença de espírito para arriscar. É um universo que me intriga e que me suscita curiosidade. Os volumes anteriores, foram leituras que me satisfizeram até certo ponto, embora não me tenham conquistado irremediavelmente. A escrita vagarosa e por vezes descrições extensivas foram factores que nem sempre me agradaram, visto que não estou habituada a livros com pouca acção e com um ritmo tão lento. 
A Corte dos Traidores veio contrariar um pouco essa tendência e veio também dar um novo rumo à série d’O Assassino, principalmente por dois factores:

  • O primeiro, porque é um livro com um ritmo muito mais acelerado, revestido de acção, intrigas e revestido também de um jogo intrincado de política. Este último “sub-factor” que referi é um dos pormenores que mais me faz admirar e apreciar a escrita de Hobb. O reino dos Seis Ducados é complexo exactamente pela sua estrutura política. Assim, é um tema que me interessa constantemente nestes livros e que me faz ponderar as diversas possibilidades que podem existir no enredo, só e apenas devido ao organismo, quase independente, que é a política deste universo. A autora é realmente muito forte neste aspecto e é uma das suas grandes vantagens.
  • O enredo paralelo dos Salteadores e os Navios Vermelhos, é neste volume, deixado em segundo plano. Confesso que ainda não me decidi se este rumo será o melhor, ou o mais sensato para a série, mas terei que esperar e ler os restantes volumes que fazem parte da mesma. No entanto, este assunto era um dos que mais me estava a agarrar ao enredo e é com pena que vejo a autora a relegar isto para um patamar menos relevante. As perguntas que foram originadas nos primeiros dois livros, não são respondidas neste volume, o que me traz alguma ansiedade. Por outro lado, a autora teve sucesso em trazer outros assuntos à superfície que também suscitaram de igual forma a minha curiosidade.


Face a estes desenvolvimentos, é-me impossível saber o que esperar dos restantes livros que irão terminar esta série. Contudo, espero com ansiedade novos desenvolvimentos e revelações que certamente me irão deixar satisfeita e grudada aos livros. 

As personagens que já se encontram nos meus afectos, vão deixar saudades enquanto não tiver disponibilidade de ler o quarto volume, “A Vingança do Assassino”. No entanto, esta pausa, será por iniciativa minha. Confesso que não gosto de ler volumes de séries de seguida, gosto de dar oportunidade a mim mesma de absorver tudo o que já li até agora e também gosto de dar tempo para sentir saudades do enredo, da própria história e de todas as personagens que preenchem a minha vida. Esta série será uma excepção, pelo que referi acima no primeiro parágrafo.  
Assim, o próximo livro será lido brevemente, mas sem me apressar. 

Não posso de qualquer maneira, aferir que este foi o melhor volume da saga. Só o poderei fazer no final, mas de qualquer maneira, creio que foi um livro que trouxe muito mais entusiasmo à série e mais movimento. Espero que os próximos volumes sejam igualmente entusiasmantes. 



         
 

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