Opinião – Jane Eyre

Opinião:

Tenho de começar por dizer que eu gosto muito de clássicos. Já devem ter reparado que eu tenho gostos literários bem vastos, considerando a oferta que temos em livros. Não posso ler tudo, está correcto, nem posso gostar de tudo, mas considero que tenho gostos bastante abrangentes. Os clássicos entram nesta categoria de “gostos abrangentes”. Posso dizer que sempre tive imensa curiosidade por ler este tipo de livros, especialmente por influência da minha família, mais propriamente dos meus pais, que têm uma vasta biblioteca que me permitiu descobrir não só os grandes clássicos, mas também me permitiu descobrir a literatura, ainda muito nova. 
No decorrer da minha vida e em várias fases da mesma, fui descobrindo livros que ainda hoje me dizem muito, sendo eles considerados grandes obras da literatura universal ou não.
“Jane Eyre” da autora Charlotte Brönte, é uma das poucas obras que não consegui encontrar na biblioteca que tenho a sorte de ter à minha disposição. Esta obra era também outro clássico que eu tinha muita curiosidade em conhecer, nomeadamente depois de ler “Orgulho e Preconceito” de Jane Austen, mas também a obra “Monte dos Vendavais” de Emily Brönte, irmã da autora desta obra que vos trago hoje. 
Ora, confesso que é impossível para mim falar sobre este livro e não o comparar à obra “Orgulho e Preconceito”, que é um dos meus livros favoritos de sempre, ainda que o tenha descoberto há relativamente pouco tempo. Acontece que eu tinha esperança de que esta obra pudesse ser elevada ao mesmo “estatuto” que a obra de Jane Austen tem para mim e confesso ter ficado um pouco desiludida quando tal não aconteceu. 
Não será pela história em si, porque a história tem os seus momentos bons, maus, ternurentos e ainda os momentos mais cruéis, tal como uma obra que se preze deverá ter. Também não é por causa dos personagens, que são únicos e vulgares, em igual medida. 
A época temporal também não será outro desses factores, porque eu gosto de diversificar as minhas leituras e abrir os meus horizontes o mais que possa. Afinal, só quando experimentamos é que sabemos se apreciamos ou não. 
No entanto, depois da experiência que tive com a obra de Jane Austen, este livro ficou bem aquém das expectativas. Esperava algo mais intenso, mais forte. Esperava também que o livro me tivesse entusiasmado mais. Confesso que não foi fácil entrar na leitura, mas assim que o fiz, até o fiz com prazer. No entanto, não é daqueles livros que dá vontade de ler compulsivamente, nem é uma obra que me tivesse ficado particularmente na memória. 
Jane Eyre, no entanto, acabou por ser uma obra que me inspirou, de certa forma. É preciso ter força de carácter e determinação, para ultrapassar todas as adversidades que neste livro, a protagonista ultrapassou. Ainda mais, considerando a época em que se passa o enredo. Órfã, mal tratada pelos seus parentes mais próximos, não é todo o ser-humano que se aguenta firme e isso mostrou-me um lado importante nesta obra. Mostrou-me que está revestida de força, e acabou por ser para mim, uma espécie de manifesto, onde o leitor não precisa de sentir pena das situações que acaba por conhecer, mas pode antes, sentir orgulho pela força que a obra transmite. 
A parte romântica acabou por complementar também o enredo de uma forma mais ternurenta, apesar de todos os obstáculos que à partida conhecemos. No entanto, digo com toda a franqueza, que apesar de não me arrepender de ter lido esta obra, não foi uma leitura que me deixasse deveras impressionada. 
Ainda assim, já posso deixar a curiosidade de lado, porque esta já foi satisfeita. E foi uma experiência positiva. Talvez, se tivesse lido este livro antes de “Orgulho e Preconceito” pudesse ter apreciado a obra de melhor forma. Creio que acabei por prejudicar a minha própria leitura, ao pensar que poderia encontrar neste livro algo que me deixasse sem fôlego, tanto quanto a obra de Jane Austen me deixou. 
Quando tal não aconteceu, fiquei algo desiludida e não me permiti ver tudo o que esta obra me poderia trazer. Hei-de reler mais tarde, para ver se a minha perspectiva muda. É preciso é vontade e disponibilidade e creio que no futuro, este livro me possa trazer outros sentimentos à superfície. 
 

4 thoughts on “Opinião – Jane Eyre

  1. p7 says:

    A comparação com o Orgulho e Preconceito pode ser algo injusta para muitos livros, porque o primeiro é um livro que deixa uma impressão tão forte que é difícil fazê-la desvanecer-se. Comigo, felizmente, já o li há uns anos e a paixão avassaladora tornou-se numa relação a longo prazo. xD

    Neste, gostei muito da protagonista, a Jane. Achei-a fascinante por ser uma caixinha de contradições. É recatada, mas consegue dar resposta ao Mr. Rochester quando ele se mete com ela. Tem altos padrões morais, mas não deixa que a religião comande a sua vida e quer aproveitar o que a vida tem para ela. Sabe o seu lugar, mas deseja mais liberdade como mulher (sendo por isso que se torna perceptora).

    Enfim, peço desculpa por me estender tanto. Acho que há livros que podemos gostar menos em certas alturas da vida e depois vir a gostar mais, ou vice-versa. O Monte dos Vendavais, da Emily Brontë, também é um livro que não reúne consenso, e que vai depender muito da nossa perspectiva pessoal para ser apreciado, digamos. 🙂

  2. A minha opinião é parecida, se bem que o bocadinho mais, extremista digamos. Fiquei extremamente desiludida com o livro em diversos aspectos, incluindo as personagens (não suporto Mr. Rochester) e os próprios eventos. Eu própria criei também expectativas; oiço dizer tão bem do livro que também o coloquei acima de Jane Austen, mas confesso que não fiquei nada entusiasmada…

  3. Eu sou suspeita, pois gostei do livro. Jane é uma personagem muito forte, especialmente para os padrões da época: toma as rédeas do seu próprio destino mesmo tendo tudo contra ela…Como disse a p7 é um bocado injusto comparar como jane Austen porque são coisas diferentes, por exemplo, em termos de ambiente…Mas é sempre uma questão de gostos.

    Boas leituras 😀

  4. Eu ainda não li o livro, apenas vi o filme mas claro que tenho interesse em ler a obra. Mas sou bastante realista, sei que vai ser dificílimo um dia encontrar uma obra que se compare ou supere o “Orgulho e Preconceito” pelo menos na área de literatura em questão. Sei que quando for ler esse livro estarei com menos expectativas e espero que isso me ajude a gostar mais do mesmo e apreciar melhor todos os detalhes que não tenciono deixar passar.

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