Opinião – O Punhal do Soberano

Opinião:
Este livro corresponde à primeira metade daquele que originalmente é o segundo livro de uma trilogia. Como tal, aquele que pode ser considerado um final abrupto, não é na verdade, nenhum final. É apenas um interregno e também uma forma de manter o leitor cativo deste enredo. Embora não goste particularmente da decisão da divisão em dois volumes, foi assim que a Editora se posicionou e portanto, cabe a nós, leitores, aceitar a estratégia. 
Enquanto espero ansiosamente para que o terceiro volume me chegue a casa, aproveito para vos contar o que achei deste “O Punhal do Soberano”. Quem leu o primeiro livro, sabe que este é relatado pelo personagem principal, Fitz, o filho bastardo de Cavalaria, em que o próprio nos conta as suas aventuras e desventuras no reino dos Seis Ducados. Na primeira aventura (O Aprendiz de Assassino), podemos assistir, basicamente, ao treino do Fitz e apenas no final do livro, somos testemunhas de alguma acção que agita a tranquilidade que tínhamos visto ao longo de todo o livro.
Este segundo volume, ainda que mantenha a escrita vagarosa de Hobb, teve um tom completamente diferente do primeiro. Conseguiu surpreender-me pela positiva. Estava à espera que o ritmo se mantivesse e que a acção enredasse pelos mesmos caminhos do que no volume anterior. Contudo, esta metade é revestida de mais acção, de mais intriga e de mais traições. Os desenvolvimentos a que assistimos nesta primeira metade são de alguma forma confusos e frustrantes porque o leitor não vislumbra tempos futuros e dá por si a querer descobrir que consequências futuras advirão de acções presentes. A sensação com que estou neste momento, é que a saga do Assassino tem realmente tendência para melhorar a cada volume que passa. 
O território dos Seis Ducados continua a ver-se a braços com os ataques dos Navios Vermelhos, ataques estes que não parecem ser providos de qualquer objectivo ou estratégia particular. 
Mais do que nunca, vive-se uma época de instabilidade e onde o jogo de política é o único que interessa. Interesses particulares sobrepõem-se aos objectivos comuns do reino e posso –  quase – dizer que é cada um por si.
Novas personagens foram introduzidas neste volume, outras deram por terminada a sua presença na saga, mas ainda são recordadas. 
Breu e o Bobo são duas delas que mantêm o mistério e sobre os quais quero continuar a acompanhar a sua evolução. 
O Bobo neste volume mostrou-se ainda mais divertido que no primeiro livro e é um fantástico complemento à panóplia de personagens que neste saga conhecemos.
O que mais gostei no livro: as descrições viciantes de Hobb, que nos mantêm cativos da beleza do mundo que criou. As já habituais notas introdutórias de cada capítulo, que nos vai falando sobre a história, costumes e tradições do território do Reino. Toda a política que a autora construiu, tal como as intrigas. Uma corte intriguista muitíssimo bem construída que permite ao leitor acompanhar com facilidade o formalismo e a estrutura hierárquica da mesma. 
Não existiu nada que me desagradasse particularmente. Talvez a palavra adequada será frustração, como já referi anteriormente. Por vezes, os acontecimentos são quase dolorosamente lentos, pelo que o leitor menos paciente, como é o meu caso, pode ficar alarmantemente frustrado por não saber mais desenvolvimentos. Não que seja uma característica má; de facto pode trabalhar em ambos os sentidos. É boa porque mantém algum mistério e permite ao leitor fazer as suas próprias observações e tirar as suas próprias conclusões, mas é menos bom porque certos acontecimentos estendem-se de forma exagerada. 
Contudo, tenho de confessar que fiquei com uma opinião bastante positiva e vou com certeza ler a saga até ao final, com prazer. Mal espero para saber desenvolvimentos. 
A Corte dos Traidores seguir-se-á e veremos o que ela nos traz.
 
     
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2 thoughts on “Opinião – O Punhal do Soberano

  1. Fico contente que tenhas gostado mais deste volume do que aconteceu com o anterior. Tinha uma coisa que tal aconteceria.

    Também gosto bastante da escrita da autora, penso que é bastante envolvente e que nos leva a querer saber sempre um pouco mais. Compreendo um pouco o desconforto de a narrativa ser um poucos lenta, pois embora não me importe e até gosto deste género de livros mais contemplativos, em certas alturas em que estamos ansiosos por saber o que se passará de seguida custa um pouco aguentar a curiosidade e só dá vontade de andar algumas páginas para a frente. 😛

    Espero que o terceiro te surpreenda ainda mais e por este andar vais terminar a saga primeiro que eu. xD

    Beijinhos e boas leituras. 🙂

  2. É verdade, Rita… Concordo com o que disseste. Em relação ao ritmo de escrita, apenas estranho por estar habituada a escritas menos descritivas. No entanto, não considero que seja uma desvantagem total. É preciso apenas entranhar e acabamos por nos habituar bastante bem. Estou muito curiosa quanto ao terceiro volume, quero ver se ainda consigo ler este mês. Vamos ver como corre 🙂

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