Opinião – A Princesa do Gelo

Opinião:
“A Princesa do Gelo”. Um título cativante. Uma capa ainda mais atraente. Conjugando com isto tudo, um nome nórdico, promete com certeza um bom policial. Já tinha várias vezes ouvido falar desta autora que é referenciada como sendo a Agatha Christie do frio. Tenho de confessar que apesar de ter achado a premissa muitíssimo interessante, não me sentia disposta a investir em mais outra série. Para quem já me acompanha, sabe perfeitamente que eu acompanho mais de duas dezenas de séries, pelo que hoje em dia, tento restringir um pouco a proliferação de novas séries nas minhas estantes.
No entanto, é impossível resistir quando uma pessoa que se revê nos nossos gostos literários e vice-versa,  lê e adora os primeiros dois livros da série Patrik Hedström e refere de forma casual e subtil o quanto, certamente, iríamos gostar das obras.
Na minha opinião e contrariamente ao que digo quase sempre dos primeiros livros de uma série, este foi um óptimo começo, pelo que as expectativas irão ter tendência a aumentar para os restantes volumes.
Não vou fazer nenhuma descrição alargada do enredo, porque acreditem quando digo que a sinopse fala por si.
Vou sim, dizer que gostei imenso desta experiência e mal vejo a hora de a repetir. O segundo volume desta série já se encontra na mesa de cabeceira à espera de vez.
Gostei da escrita da autora, apesar de ela ter um ritmo muito inconstante. Isto porquê? Ora escreve de forma vagarosa – onde o leitor se vê a par com as partes mais tranquilas de um policial, ora de forma frenética – onde se descobrem várias coisas ao mesmo tempo cheias de significado. É óbvio que todo o livro policial tem de ter momentos destes, mas nunca tinha notado uma diferença de ritmo tão acentuada como neste livro.
Por um lado pode ser uma óptima característica, na medida em que a autora não é previsível e deixa os seus leitores sempre na expectativa de serem surpreendidos.
Por outro lado, não permite que a leitura seja feita de forma fluída. Ambas as situações aconteceram comigo. Por um lado, senti-me sempre na dúvida, sem certeza do que realmente poderia acontecer; por outro não me sentia impelida a “devorar” o livro e este foi um dos livros que mais tempo levei a ler.

Agora, quero debruçar-me sobre outro aspecto de extrema importância para mim. A comparação entre Agatha Christie e Camilla Läckberg. Bem, agora que já li ambas as autoras, posso e devo dizer-vos que para mim não existe comparação possível. Agatha é uma das minhas autoras favoritas dentro deste género e quem eu considero a verdadeira mestre na escrita policial. Para mim, é errado fazer este tipo de comparações por motivos de marketing ou publicidade. Cada autor tem a sua cunha pessoal e para mim é algo preocupante quando dois seres humanos são comparados (não interessa que as intenções sejam boas/más). Todos nós somos diferentes e todos nós temos as nossas características melhores e piores. E acho verdadeiramente de mau tom, quando estas comparações são feitas no mundo literário. Porque para mim ambas as autoras são fantásticas. Por isso, não, não considero que a Camilla possa alguma vez ser comparada a Agatha. Primeiro, porque a questão temporal é crucial. Agatha alcançou o sucesso com a sua série “Poirot” em 1926. Camilla é uma escritora do século XXI, com uma formação e educação completamente diferente das que Agatha teve. Como é possível existir este tipo de comparação em tempos claramente tão distintos? É errado.
As próprias estruturas da trama são tão diferentes que não existe manobra para qualquer tipo de comparação.
Agatha foi uma inovadora neste género literário, Camilla não, pois hoje em dia o mercado está saturado de tanto livro, em praticamente todos os géneros que é difícil alguém ser inovador. Já se fez de tudo. Acaba por estar tudo ligado a questões temporais, por isso, é que nunca poderá haver uma base de comparação: seja entre estas duas autoras, seja entre quaisquer outros autores.

Se pensarmos bem, existem muito poucas parecenças: o facto de ambas as séries terem protagonistas, investigadores, masculinos. Ambas escrevem policiais. Mas estas são as únicas. 

Um é um investigador privado, outro é polícia. Um é belga, outro é sueco. 
Claro que não quero com isto dizer que Camilla não tem qualidades. Muito pelo contrário. É uma autora que mesmo sendo inconstante escreve com uma perícia como nem todos conseguem fazer transparecer. Mantém o leitor na expectativa e sempre com o cérebro a trabalhar a mil à hora, tal é a ansiedade de descobrir o que se passa por trás das aparências. 
Por isso mesmo, estou ansiosa de ler mais livros desta série. E principalmente, para saber como é que a autora vai pegar nos personagens que neste livro nos apresentou e, saber também como os vai desenvolver. 
Mas não poderá haver comparações, porque para mim, Agatha é especial e uma mestre no seu campo, no tempo em que viveu e deixou a sua marca. Camilla também é especial e deixa outra marca também, mas no seu respectivo espaço temporal. Cada qual tem um talento maravilhoso e os livros são tentações, sendo elas, no entanto, personalidades diferentes, mentalidades distintas e individuais. Logo, não devem ser comparadas.

Este primeiro livro apenas peca pelo tal ritmo inconstante, que é para mim um detalhe fundamental e um dos factores que mais influencia a minha experiência de leitura.

Para quem gosta de policiais, garanto-vos que este livro é para vocês.   



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5 thoughts on “Opinião – A Princesa do Gelo

  1. Fernanda Rocha says:

    Ahhhhhhh… Adorei! Parabéns! Concordo plenamente e fico muito feliz que tenhas gostado do livro! Agora aguardo a leitura e correspondente opinião do segundo! 😛

    Em relação à comparação com a Agatha Christie, acho que tens toda a razão… Tempos e realidades demasiado diferentes! 😀

  2. Até me admira como não comentes o que disse na passagem: “No entanto, é impossível resistir quando uma pessoa que se revê nos nossos gostos literários e vice-versa, lê e adora os primeiros dois livros da série Patrik Hedström e refere de forma casual e subtil o quanto, certamente, iríamos gostar das obras. “

    Não acredito que não te serviu o “barrete” 😛

  3. Fernanda Rocha says:

    Olha… na realidade serviu e até “babei”… :p …é mesmo o meu número… 😀 Mas, fiquei caladinha por uma questão de segurança… anda por aí uma pessoa revoltada porque adiaste a leitura de um determinado livro… 😛

    Estou mesmo feliz que tenhas gostado… 😀 Andei uns tempos “com o coração nas mãos”… Daí ter salientado as críticas positivas e as negativas também! Agora respiro melhor e acho que até vou deixar de roer as unhas! 😀

  4. Pois é! Muito se queixa que ando a ler muito pouco! Vamos lá ver se é ainda este mês que acabo o outro livro. 😛

    Eheheh, ainda bem que finalmente te posso libertar (temporariamente)dessas ansiedades. Mas para a próxima há mais, no segundo volume!
    E nem quero começar a contabilizar as leituras que num futuro próximo virão. Acho que tão cedo as unhas não têm descanso 😛

  5. Uhuh, adorei a tua opinião.
    Permites-me o copy past? (Estou a brincar).

    Estou totalmente de acordo com todos os pontos de vista:
    – Quando falas do ritmo incostante e por vezes lento…
    – Quando falas(E MUITO BEM, há que notar) da compração descabida de Agatha Christie com a Camila.

    Parabéns e mais uma vez deves embarcar no segundo primeiro que eu (não direitos x) ) por isso fico á espera da próxima opinião. Beijinho

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